quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Dança das cadeiras

Bom, estamos quase.
Os que perderam, vão atravessar o deserto político e alguns, o deserto do emprego.
Os que ganharam estão a braços com as pressões para a distribuição dos lugares.
A saga repete-se.
E ainda não se sabe quem vai ser o próximo GC.
O silêncio em torno do elenco governativo e sobre os representantes do futuro Governo nos diferentes distritos, é uma estratégia adequada. De contrário, já teriam sido queimados um sem-número de nomes.
Porém, as eleições autárquicas são já em Outubro e não se pode perder tempo. Esta vontade de mudança que o povo transmitiu no dia 20, pode ser capitalizada no sentido de serem construidas listas de qualidade, lideradas por pessoas que possam recolher consensos junto dos diferentes sectores da sociedade.
Esta postura incrementará o grau de confiança e o estado-de-graça sobre o Partido Socialista. A consequência será a mudança há tanto desejada e nunca conseguida, exactamente por falta de visão estratégica e cegueira política daqueles que entendem que, uma vez conquistado um lugar nas lista, é vitalício.
Em política, não há amigos; há pagadores de promessas. E os cobradores não usam fraque nem são educados na cobrança.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

O dia seguinte

Não há mais nada a dizer sobre o dia 20 de Fevereiro. Ficou tudo dito.
Um ou outro rescaldo, desabafo ou contrição.
Vamos agora ver quais serão as estratégias a implementar para concretizar as promessas eleitorais na região. Falo em região mas, em boa verdade, o que vigorará é a região-plano, vulgo CCDRA.
Em primeiro lugar, teremos a constiuição da nova Assembleia da República e a verificação dos mandatos dos deputados. O Presidente da República consultará os partidos com assento parlamentar para decidir sobre o convite a formalizar ao líder do partido mais votado.
O Pimeiro Ministro indigitado formará governo que tomará posse. O governo nomeará os Governadores Civis e estes desencadearão o processo de sugestões de nomeações para os lugares disponíveis nos respectivos distritos.
Os que saiem e não cuidaram do seu futuro, inscrever-se-ão nos serviços de emprego; os que entram transbordarão de felicidade nos primeiros dias, antes de terem de começar a trabalhar. Os que não forem contemplados, apresentarão os seus queixumes e tratarão de criar as condições para atingir os que foram escolhidos.
Teremos, de novo, contentes e descontentes, aptos e inaptos, filhos e enteados, mães, madrinhas e madrastas.
Mudar é fácil. Mudar para melhor é que é difícil.
Para mudar para melhor é preciso cuidado, serenidade e capacidade de fuga às pressões, arrivistas, oportunistas e marqueteiros pessoais.
As capacidades de selecção de Luís Pita Ameixa vão estar à prova.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Insípido

É o mínimo que se pode apelidar o debate a 5 - 1 de ontem à noite.
Anunciado como único em toda a campanha, acabou por gorar as expectativas.
Se é que é possível indicar um vencedor, esse acabou por ser Jerónimo de Sousa. Limitado por afonia progressiva, abandonou o debate e o pouco que conseguiu dizer pautou-se pela objectividade. Afinal o poder de síntese também é importante no discurso político, já não havendo lugar para fidelisses (de Fidel de Castro).
Em boa verdade, Os líderes dos principais partidos - PSD e PS - aqueles que protagonizam as verdadeiras alternativas governativas, não estiveram à altura de esclarecer convincentemente o que farão se forem governo.
Para José Sócrates, foi uma oportunidade quase perdida de mostrar, ponto por ponto, o que fará a partir do dia 21 de Fevereiro de 2005, já que o grau de probabilidade de vitória é de mais de 95%.
O mesmo não se pode dizer da maioria absoluta; os indecisos e desgostosos com a classe política não se agradaram com a prosa, a avaliar pelas conversas que já mantive com algumas pessoas.
Este é o problema de fundo: o descrédito dos políticos. José Sócrates não está a conseguir explorar esta frustração do eleitorado. Cansados de lutar pela sobrevivência, de ver reduzidos os seus parcos recursos cada vez que se aperta o cinto e de não saberem o que fazer para orientar os seus filhos, os eleitores das classes menos favorecidas e, particularmente, a classe média - o sustentáculo absoluto do Tesouro - sentem alguma raiva quando confrontados com a incapacidade endémica do sistema e dos políticos.
Temo que a abstenção seja elevada e que os votos de protesto acabem por provocar sérios danos colaterais. Se tal acontecer, o país mergulhará numa nova e perigosa crise de instabilidade.
Anseio que, até Sexta-feira, o PS consiga tirar um ou outro coelho da cartola para convencer os desiludidos.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Trogloditas

O despautério, a pouca vergonha, o despodor e todos os adjectivos qualificativos negativos passíveis de atribuição aos actuais elementos do Conselho de Administração da EDAB, são poucos para enquadramento da notícia manchete de ontem na comunicação social local.
Durante todo o dia não se falou de outra coisa.
Veiculada por José Gaspar, disse-se que a obra não arrancava porque tinha sido interposta uma providência cautelar nos tribunais, relativamente aos acontecimentos tumultuosos que envolveram a momeação do novo CA e a estranha substituição da Mesa da Assembleia-geral, após ter sido suspensa.
Sem dúvida que as acções ficam para quem as pratica e José Gaspar deve pensar que os bejenses andam a dormir e são parvos.
Então quem é que não fez obra? Quem é que andou a movimentar-se em ardis estranhos, envoltos em penumbras de nomeações de família? Quem é que tentou utilizar as tecnicas do Direito para fazer valer os seus objectivos pessoais e da família política raulista? Quem é que semeou os ventos? Quem comprou vivendas, carros e substituiu mobílias? Quem aumentou principescamente os salários dos administradores? Quem não percebe nada de gestão de projectos? Quem não sabe falar inglês e quer estar à frente dos negócios de um projecto internacional?
Agora estranha que tenha sido interposta uma providência cautelar pelos sócios minoritários?
Acusa-os de serem os responsáveis pela não execução da obra?
E a comunicação social local dá relevo à notícia sem a contrapor com a opinião dos restantes membros da Assembleia Geral visados!

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Lacunas da cidade

Beja está necessitada de visionários, líderes e planificadores.
Sabemos que existem mas não conseguem atingir posições onde possam protagonizar enquanto agentes de mudança. O status quo não deixa.
O projecto comunista, velho de mais de 25 anos, perdeu por completo a capacidade de regeneração. O município é comandado por um Engº. quadro superior dirigente, em vez de ser comandado pelo presidente e vereadores. A promiscuidade de interesses, os vícios e males provenientes da perpetuação no tempo de uma pseudo elite autárquica, está a corroer o futuro da urbe.
Não há ideias; não há projectos.
Por exemplo, a Beja Pólis esqueceu que necessitamos de um terminal rodoviário de carga. Penso mesmo que nem consta do PDM. Com as perspectivas geradas pelo EFMA/Alqueva, IP8, Aeroporto, Porto de Sines, é espantoso que não se fale sequer no assunto. Claramente é uma competência do município, o de planificar a implantação e construção de uma infrestrutura desta natureza, com a modernidade de apoios que implica, nos dias de hoje.
Subsidiariamente, o terminal rodoviário de passageiros está carecido de intervenções de fundo. Nem sala de espera possui. Está completamente desumanizado. Provavelmente a melhor alternativa é a integração deste num novo complexo, retirando-o do centro da cidade - que já foi fora da cidade - e instalando-o num local mais amplo e estrategicamente posicionado relativamente a uma nova circunvalação que inclua o acesso directo à estrada de Serpa, pelo IP2 ou até, em parceria com a EDAB e REFER, edificar um terminal intermodal, já a pensar em vôos mais altos.
É preciso pensar grande; é preciso pensar como Sebastião José de Carvalho e Mello.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Dinâmica de vitória, precisa-se

Este é o perigo das sondagens. Melhor, o perigo da divulgação das sondagens.
Com a mais recente a dar a maioria absoluta ao PS, a campanha eleitoral entrou num autêntico marasmo.
As visitas aos concelhos e freguesias, são feitas como há décadas, sem nada de inovador, sem atractividade, sem convicção, sem fervor e capaciadade de influência. Os candidatos a deputados deveriam escutar as conversas-de-pé-da-orelha para adequar os seus comportamentos às expectativas para conseguir tirar da cartola as soluções que as pessoas querem ouvir dos políticos. Corrigir os diálogos, as intervenções, melhorar a prelecções.
As comitivas são pequenas; há poucos jovens e poucas mulheres. Há pouco barulho.
Na cidade, pela primeira vez, não há loja de campanha. Não há animação de rua, visitas às empresas e lugares públicos.
As eleições não são favas contadas. Nunca foram.
O laxismo no trabalho eleitoral não é bom conselheiro para a obtenção dos objectivos. E os objectivos a atingir são dois: a maioria absoluta e o combate à abstenção.
Onde está o PS ganhador?

Afinal, já vem outra vez

Provavelmente já conseguiu uns quantos autocarros vindos do Cavaquistão, do Barrosão e do Santanão. Mas também pode acontecer que os militantes do Cavaquistão e do Barrosão não estejam para aí virados.
Mas não se livra dos protestos populares, sobretudo dos militantes do PSD que não conseguem digerir o ostracismo a que o Baixo-alentejo foi votado nos últimos três anos e o escândalo EDAB, com a família Santos a tomar conta de tudo o que é lugar na empresa, deixando literalmente a ver navios, todos os restantes accionistas.
Pelo Círcolo Eleitoral de Beja, é sabido que o PSD não elege um único deputado. Luís Serrano estará, certamente, muito descontente, já que tinha conseguido dos melhores scores de que há memória.
O desempenho dos nomeados PSD na região, pautou-se por uma inércia sem precedentes, muita dela provocada pela guerra surda entre Barrosistas e Santanistas. Estes últimos desataram a correr com os primeiros. Valeu a demissão do Governo e a dissolução da AR.
Ouvem-se queixas em todos os serviços públicos, desde as Finanças ao IPJ. A maior delas é a de que as pessoas passaram a ser tratadas como objectos. Não fosse o sentido ético dos profissionais e a região já estaria parada.
Inventou-se um sistema central de avaliação de desempenho dos funcionários mas, a verdade, é que esse sistema apenas serve para favorecer os que têm cartão da cor do governo. Ninguém acredita nele. Sistema desacreditado é sistema condenado.
Projectos infraestruturantes que estavam em marcha, nenhum adiantou. Todos pararam. Os dois mais destacados são o da EDAB e o da ligação das barragens que abastecem populações a Alqueva. A famigerada reserva estratégica de água de nada serve. Não tarda, falta a água nas torneiras.
E PSL faz aparecer na comunicação social a assinatura de um protocolo com a FAP para a utilização civil de outra base aérea, frisando que não compromete o projecto da Ota.
E nós a chuchar no dedo.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

TGV é essencial para promover o desenvolvimento

Um especialista em transportes afirmou quarta-feira à noite que as duas linhas ferroviárias de alta velocidade (TGV) cujos traçados vão abranger o Alentejo, na ligação Lisboa/Évora/Madrid e Évora/Beja/Faro, são essenciais para colocar a região na "rota" do desenvolvimento.
Jorge Paulino Pereira, docente no Instituto Superior Técnico de Lisboa e especialista na área dos transportes, garantiu em Beja, numa conferência sobre "O Impacto das Novas Tecnologias de Transporte no Baixo Alentejo", que a rede ferroviária de alta velocidade vai desempenhar um papel importante no desenvolvimento de todo o Alentejo.
Durante a iniciativa, promovida pela Câmara Municipal de Beja e pelo Rotary Club, na biblioteca local, Jorge Pereira, autor de vários estudos sobre o TGV, a ligação Lisboa/Madrid, passando por Évora, vai transformar o papel daquela cidade alentejana, que passará a estar a cerca de 45 minutos de distância da capital.
"Évora vai tornar-se numa cidade suburbana de Lisboa, tal como aconteceu em Espanha com Ciudad Real, que dista 150 quilómetros de Madrid mas que, depois do TGV, ficou uma cidade suburbana", disse.
Desta forma, a cidade alentejana, sublinhou, passará a constituir "uma alternativa a Lisboa", no que respeita à habitação, educação, transportes e indústria.
Quanto a Beja, que também vai ser abrangida pela rede ferroviária de alta velocidade, na ligação Évora/Faro, em direcção a Huelva e Sevilha, poderá desempenhar "um papel fundamental na região Sul do País", defendeu o professor universitário.
"Fui o primeiro a propor a ligação, através de Beja, entre Évora e Faro. Considero que Beja, pelas características que possui e com os vários projectos que vai albergar na área dos transportes, pode transformar-se na cidade mais importante da região Sul", argumentou.
Sobre as críticas que têm sido feitas à linha Évora/Faro, nomeadamente por parte de autarcas do Algarve, que defendem um traçado alternativo por Sines/Barlavento, Jorge Paulino disse à Lusa que o traçado definido "é o mais vantajoso e correcto".
"Estas infraestruturas só funcionam se tiverem um carácter integrado e é em Beja que passa o IP-2, que tem de ser concluído, e está prevista a construção de um aeroporto e do IP-8, que vai possibilitar a ligação ao porto de Sines e à fronteira espanhola", disse.
Confessando-se "um grande adepto do TGV", projecto no qual Portugal "já devia ter investido há mais tempo" porque a ligação ferroviária convencional "não é rentável e só dá prejuízo", Jorge Paulino argumentou ainda que a construção da rede de alta velocidade - conclusão prevista para 2018 - "devia ser abreviada".
"Quanto mais depressa tivermos a alta velocidade, mais depressa avança o desenvolvimento do País. O défice da CP é enorme e o que interessa é ter infraestruturas ferroviárias rentáveis. O projecto devia ser abreviado e construído a pensar no futuro", frisou.
O TGV deve começar a ser construído em 2006 e contempla cinco linhas (Lisboa-Porto, Lisboa-Madrid, Porto-Vigo, Aveiro- Salamanca e Évora-Faro-Huelva), representando um investimento aproximado de 12,5 mil milhões de euros.

In Boletim de Notícias Alentejo Press

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Afinal já não vem?

Pedro Santana Lopes já não vem a Beja na Sexta-feira?
Já não vem mesmo ou é para desmobilizar a intenções da população mostrar o seu descontentamento em torno da EDAB?
Não vem mesmo ou é para evitar que as televisões mostrem ao país a vergonha do processo?
Não vem mesmo ou é para não ser confrontado com o descontentamento público dos seus pares?
Ou é por José Sócrates ter um comício eleitoral no dia seguinte, no NERBE, e ser um risco a comparação das audiências?
Afinal por onde fugiu a coragem do líder do PSD?
Quem é que o avisou, desde Beja, que era melhor cá não por os pés?
Quem é que o preveniu que as figuras mais importantes do PSD local estão capazes de o comer vivo?
Eu que queria tanto estar na festa, pá, com a tua gente, e viver pessoalmente, a nova versão do Evangelho segundo S. Pedro Santana Lopes.
Paciência. Até porque já não haverá próxima.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

A Novela e o Lopes

Pedro Santana Lopes vem a Beja na próxima Sexta-feira.
Os social-democratas descontentes e não-santanistas preparam-se para aproveitar a procissão de televisões que o seguem para dar a conhecer ao país o escândalo da EDAB. Como se sabe, exceptuando um ou outro jornal nacional - e com pequenas notícias - nenhuma televisão tratou o problema. Sendo uma questão regional e nacional, envolvento episódios rocambolescos é , no mínimo, estranho.
Luís Serrano não teve qualquer constrangimento em pedir à população de Beja para que se concentre junto ao local da visita e mostrar o descontentamento em torno do processo.
Resta agora saber o que João Paulo Ramôa tem para dizer a PSL. Estou cheio de curiosidade.
Depois das últimas declarações públicas em que assumiu finalmente a sua posição discordante, e em face do cenário vergonhoso da última Assembleia-geral de accionistas, só lhe resta uma postura de dignidade: entregar pessoalmente a Pedro Santana Lopes, as chaves do Governo Civil do distrito de Beja.
A questão EDAB ainda vai fazer correr muita tinta e o processo judicial em curso seguramente que trará resultados interessantes mas já para depois das eleições.
Entretanto, a imagem da Organização está na lama. Os seguidores de José Raúl dos Santos atolaram-na.
Todavia parece existir um dado novo neste processo que não deixa de ser surpresa. Corre um rumor na cidade de que Mourato Grilo estará inscrito no Partido Socialista! A ser verdade, ou Carmona Rodrigues não sabia quando o indicou, ou sabia e pôs o projecto acima das querelas partidárias, tendo em conta o perfil e curriculo do então indigitado para Presidente do CA.
Mas se for verdade, então o cenário piora porque estaremos perante um saneamento político e os santano-raulistas foram literalmente apanhados com as calças na mão.