quarta-feira, maio 04, 2005

Beja: O 3º custo-de-vida mais elevado do País!

Está confirmado: A nossa cidade é das mais caras do país.

A revista Proteste 258, de Maio de 2005, divulga os resultados de um estudo de comparação de 63 000 preços em supermercados de todo o país.

A superfície mais barata em Beja é o Pingo Doce, com os índices 110, 112, 119 e 112. Em 2º lugar surge o Modelo, com os índices 110, 111, 125 e 113. O Intermarché e a COOP Proletário Alentejano, com os índices 119, 117,121 e 116, 119, 120, 121 e 119. O mais caro é o António M. Veríssimo, com os índices 133,140, 139 e 138 e, logo a seguir, Frescos & Companhia, com os índices 130, 133, 133 e 131.

Braga é a cidade com as compras mais baratas. Mais caras do que em Beja, só Guarda (1º com o índice 115) e Viseu (2º com o índice 114).

Foram constituídos 2 cabazes: Um representando uma família típica e destinado a quem escolhe os produtos pela marca. Engloba 100 produtos distribuidos por gorduras, óleos, lacticínios e ovos, outros produtos alimentares, charcutaria, bebidas, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza para casa, fruta e legumes, peixe, aves, carne de porco e carne de vaca. Outro cabaz representando o consumidor que entra no supermercado, olha para a prateleira e escolhe a marca mais barata que houver. Abrange 81 produtos e é idêntico ao primeiro, excepto nas categorias carne, peixe, frutas e legumes que foram excluidas.

O 1º índice representa o total, o 2º mercearia, o 3º drogaria e 0 4º sem carne, fruta e legumes, tudo no 1º cabaz.

O 2º cabaz indica-nos que, relativamente ao total, o mais barato é o Modelo, seguido pelo Pingo Doce, pelo Intermarché e Frescos & Companhia.

Com uma simples deslocação a Faro, Évora ou Setúbal, podemos poupar num cabaz qualquer coisa como 6 a 7 %.

segunda-feira, maio 02, 2005

Direito à indignação

No passado Domingo - 1º de Maio - assistimos a uma reportagem nos noticiários do início da noite que dava conta da inauguração do maior carrilhão de Portugal, instalado num moderno e grandeoso local de culto católico romano, num concelho das proximidades de Lisboa, a que não faltou o Cardeal Patriarca de Lisboa.
Até aqui, tudo bem.
O que me espantou foi a chegada de um helicóptero da força aérea transportando as imagens de Nossa Senhora de Fátima e dos três pastorinhos, imagens essas levadas até quem de direito por 4 militares da FAP.
Sendo um cidadão agnóstico - embora de educação católica romana - não posso deixar de manifestar o meu desagrado por tal espectáculo. E porquê?
Não é a cerimónia e a sua magnitude. Não é a imponência megalómana do complexo. Não é o orgulho de quantos contribuiram para a obra. Não é a religião.
O Estado Português é laico. E enquanto tal, não pode, não deve, patrocinar oficialmente esta ou aquela religião, mesmo que seja a que maior expressão tem.
Evidentemente que os militares dos três ramos das forças armadas terão as suas convicções. E sempre tiveram apoio espiritual, mas apenas de uma religião.
O problema é que o Puma da FAP voou pago pelos impostos de todos os portugueses, incluindo aqueles que professam outras religiões que não a Católica Apostólica Romana. E os militares da FAP - pagos pelo OE porque em serviço - prestaram uma imagem tendenciosa quando é suposto que a não tenham.
Eis a razão de ser da minha justa indignação. Este tipo de situações - como é o caso de continuar a sentar à direita das mesas de eventos solenes e em cátedra especial, a autoridade religiosa da ICAR, por força protocolar - têm de terminar sob pena de descredibilização do regime.
A matéria que acabo de focar - a do helicóptero da FAP - deve ser estudada pelo Senhor Ministro da Defesa no sentido de ser feita uma avaliação da correcção do acto num quadro do Estado Democrático Laico. E a questão de sentar bispos católicos romanos em todas as cerimónias protoculares, já não faz qualquer sentido num Estado que proclama a liberdade religiosa no seu texto constitucional.

terça-feira, abril 26, 2005

31!

Não há muito para dizer sobre a data. Já foi quase tudo dito. A história moderna de Portugal fará o resto.
Porém falta fazer muita coisa, embora já tenha sido feita muita outra.
É necessário transmitir às gerações mais novas - sobretudo às que nasceram depois - a razão do acontecimento, as suas vicissitudes e revezes para que possam entender os seus pais e avós. Este referencial é determinante num jovem para que saiba de onde vem e para onde vai.
Tinha 19 anos e recordo-me da minha mãe a acordar-me bem cedo dizendo: Acorda! Está uma revolução na rua!
Voltei-me para o outro lado e disse: Finalmente! Já não era sem tempo!
Depois levantei-me, preparei-me e fui para o Largo do Carmo. Estive praticamente em todos os pontos nevrálgicos.
Foi aí que iniciei também a minha actividade político-partidária.
Sobre o cravo, diz-se que determinada senhora só tinha aquelas flores mas a realidade é mais plural. Quando os cravos surgiram, foi tudo muito rápido o que leva a creditar que existiram várias protagonistas no processo sem saber umas das outras e não apenas uma protagonista num determinado local, a determinada hora.
O cravo vermelho não tem conotação ideológica ao contrario do que se imagina. Nesta época era a flor mais comum. A seguir eram os cravos brancos. Sendo a flor que havia, foi adoptada. E a sua colocação nas espingardas tinha o objectivo de evitar disparos (atitude inteligente típica de milheres).
Quando os cravos surgiram, eu estava na zona da Cova da Moura, na Avenida Infante Santo, em Lisboa. E vi. As Vendedeiras do mercado de Alcântara vieram até lá e distribuiram os cravos pelas espingardas.
E foi patente a felicidade espelhada nos olhos dos militares e dos populares, perante o gesto.
Mais tarde alguns mancharam a sua beleza. Os mesmos que vieram a manchar o romantismo do 1º Primeiro de Maio.
Agora temos de trabalhar todos para corrigir os problemas da Democracia.
E os problemas da Democracia resolvem-se com mais Democracia.

segunda-feira, abril 18, 2005

O ciclo de vida do produto

Tal como os organismos vivos, os produtos e serviços também nascem, desenvolvem-se, atigem o seu auge, entram em declínio, definham e morrem.
Dependendo de factores endógenos e exógenos, assim a longevidade será maior ou menor.
O que vimos ontem de Marcelo Rebelo de Sousa espelha, no seu melhor, esta teoria económica.
De facto, o modelo, formato, conteúdo e anexos, não mudaram nada em relação ao que era praticado anteriormente noutro canal. Uma ou outra nuance quase imperceptível fará alguma diferença.
Mas o maior problema é o protagonista. O que mudou em MRS é praticamente nada, com a agravante de estar em contraciclo com a realidade ao ponto de a entrevistadora lhe chamar à atenção com um olhe que não é isso que dizem ou só o Sr. é que diz isso.
Quando as opiniões jornalísticas e públicas vão no sentido positivo relativamente à primeira grande entrevista concedida pelo PM ao canal público, é MRS que procura - por vezes desorientadamente - motivos e pormenores para dizer que José Sócrates não esteve bem.
Com grande pena minha, o que acabei por constatar é que o canal público adquiriu um produto em 2ª mão com um tempo de vida útil mais limitado do que aquele que era suposto, o que leva a que a reintegração de capital não compense o que falta até ao final das amortizações anuais.
Adquiriu-se um passe de jogador em final de carreira.

quarta-feira, abril 13, 2005

Corporativismo e inelasticidade

Como sabemos, são órgãos de soberania o Presidente da República, a Assembleia da República, o Governo e os Tribunais.
Apenas os dois primeiros são eleitos por sufrágio directo e universal, sendo o Governo formado após convite do PR ao líder do partido mais votado e os Tribunais, independentes do poder político, pelo que o Povo não pode eleger aqueles que, em seu nome, exercem o poder judicial.
Os ministros e os secretários de estado podem igualmente não ser eleitos pelo Povo.
Os Magistrados (juízes) são, assim, titulares de um órgão de soberania.
Não se discute se são bons ou maus, se trabalham muito ou pouco. Há bons e maus como em todo o lado.
O que está em causa é a sua cultura corporativista e de forte resistência à mudança.
A Assembleia da República legisla e confere ao Governo - quando isso não esteja consagrado - autorizações legislativas.
O Governo executa as políticas que entende adequadas para atingir os objectivos anunciados no seu programa. E de entre as medidas, anunciou - em sentido lato, a sua intenção de reduzir as férias judiciais de 2 para 1 meses.
Evidentemente que a medida é susceptível de considerações, nomeadamente quanto à eficácia do sistema, não se sabendo, só por isto, se tal medida contribui para a celeridade processual.
Mas ainda se não sabia o conteúdo da medida, já os representantes dos magistrados estavam a dizer não.
De seguida - na cerimónia da sua tomada de posse - o novo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça afirmou, a propósito da medida de alteração das férias judiciais e em tom ameaçador, que o Governo está a comprar uma guerra...e a magistratura vende-a barata.
Enquanto cidadão, apercebo-me da opinião dos meus pares que não dominam o conhecimento sobre a matéria (como eu) tecerem as piores opiniões acerca da justiça e dos magistrados porque é um sistema fechado que não se dá a conhecer convenientemente àqueles em nome de quem exerce o poder que lhe está conferido. Mas para os media vão dizendo cinicamente que acreditam na justiça.
Consideram-na uma corporação quase tenebrosa - capas, togas e becas negras, montanhas de papéis velhos - tremem que nem varas verdes sempre que têm de entrar num tribunal para tratar de um qualquer assunto por mínimo que seja e desconfiam do sistema e das pessoas.
E agora, o número 3 da hierarquia do Estado, mal se senta na cátedra, ameaça quem inequivocamente foi eleito por querer proceder a mudanças que o povo pretende.
No mínimo, o acto é deselegante.
Mais recentemente, quando o Governo anunciou a preparação de uma medida em que os magistrados do MP (que não são juízes mas funcionários públicos a que a CRP dsigna de magistrados do Ministério Público, sujeitos a hierarquia) terão, em determinadas circunstâncias, de acompanhar as polícias para autorizarem buscas domiciliárias, sempre que a urgência o justifique.
O Ministro da Justiça apenas anunciou a medida, não o seu conteúdo. De imediato, o Sr. PSMMP (sindicato porque funcionários públicos; os magistrados têm associação) veio comentar a inoportunidade da medida.
Em resposta, António Costa disse que o Sr. PSMMP estava a falar de cor, uma vez que desconhecia o conteúdo. E o presidente do sindicato não se conteve e disse que quem estava a falar de cor era o ministro.
Estes comportamentos e atitudes de medição de forças para se saber que é quem e quem manda o quê, faz com que o Povo - que já olha de soslaio para a justiça e para aqueles que a exercem - ainda fique com mais desconfiança do que aquela que já tem.
E se já não gostava dos magistrados, passou a encará-los como algo naftalínico.

terça-feira, abril 12, 2005

O Marques de Pombal

Leu bem e está bem escrito. Se tivesse acento circunflexo na vogal da última sílaba, estaria a referir-me a Sebastião José de Carvalho e Mello e não estamos no século XVIII. Por outro lado, polémicas e registos históricos à parte, o Marquês de Pombal teve um desempenho como equivalente a Primeiro Ministro, à época, que Marques de Pombal não terá nunca nem chegará a Primeiro Ministro.
Subsidiariamente, Marques de Pombal é um líder possível, no contexto e a prazo, por não reunir condições de perfil e vontades indubitáveis dos que (supostamente) o apoiam. Paradoxalmente, Manuela Ferreira Leite reuniu mais votos para o desempenho do lugar para que foi eleita do que o prório Líder.
Estas situações não são novidade no sistema político partidário português. O PS - que hoje governa e com maioria absoluta - viveu algo de semelhante com Ferro Rodrigues.
Não se trata apenas de pessoas mas de ambiente contextual conjugado com perfis. Marques de Pombal (Luís Marques Mendes), surge como a solução possível e - se outro evento de relevo não acontecer antes - será protagonista da responsabilidade da provável nova derrota eleitoral do PSD, agora nas autárquicas. E pode resultar daí, nova mudança na liderança com vista a aproveitar a possibilidade de Cavaco Silva ser o candidato às presidenciais e não ter alternativa que o derrote.
Só a partir daí e nesse cenário é que o principal partido da oposição poderá aspirar a ser alternativa credível ao PS.

sexta-feira, abril 01, 2005

Excelente

É o que se pode dizer da escolha da personalidade que vai ocupar o lugar de Governador Civil de Beja.
O major-general Monge é uma figura de prestígio, com um currículo invejável, filho da terra, sempre disponível para o serviço público, de trato afável, culto e educado, talvez incomum num militar de carreira.
Tive o prazer de privar com ele, pela primeira vez, em Macau, antes da transfereência da administração do território e fiquei surpreendido com a familiaridade que mantinha com os colaboradores e a sensibilidade que demonstrava para os problemas sociais.
Não vou aqui fazer a apologia das suas qalidades nem tão pouco elaborar a sua biografia. Mas vou expressar o meu contentamento pela escolha e afirmar, mais uma vez, que é excelente.
Vamos ter obra e o nome do distrito na senda dos melhores.