segunda-feira, novembro 14, 2005

É o que eu sinto



Este cartoon - embora em inglês - retrata bem o que se passa connosco (eu continuo a chamar-jhe região; desculpem lá). Há décadas que gritamos por socorro e a sensação que tenho é que isso dá gozo aos detentores do poder instituido.

Diz o povo que o cântaro tanta vez vai à fonte que um dia a asa fica lá".

Nós queremos o cântaro inteiro e sabemos quão difícil é arranjar dinheiro para concretizar as obras neste momento. Mas temos de o arranjar.

Alguns dos elementos colocados em lugares-chave - local e regionalmente falando - manifestam vontade férrea de alcançar os objectivos para que foram designados. Um ou outro já fez saber que os hits só se obtêm se o Governo disponibilizar os recursos necessários e suficientes, incluindo pessoas.

Sem mencionar ninguém - quero deixar o meu reconhecimento e palavra de incentivo aos poucos que lutam em surdina, diariamente, para que não se façam nomeações desorientadas e que se cumpram os desígnios do desenvolvimento sustentado e sustentável do Baixo-alentejo, de acordo com um plano estratégico a funcionar em rede. E para que a rede funcione, as pessoas que estão nos lugares têm de possuir aptidões especiais, para além das competências genéricas e específicas para a função.

sábado, novembro 12, 2005

Cheia de "speed"

A condutora desta viatura (loira) cruzou-se comigo 3 vezes, em dias diferentes, no IP2, de Beja para Évora, sempre entre as 9.00h e as 9.20h.
Nesta foto tinha acabado de cometer uma infracção grave (3ª vez), pondo em perigo a segurança de outros condutores.
Nas anteriores duas situações, fez uma ultrapassagem perigosa, atirando o condutor que circulava em sentido contrário para a berma (a 1ª) e da segunda, um salto de peixe depois de ultrapassar duas viaturas, obrigando-me a travar bruscamente para a deixar entrar de novo na mão.
Tratando-se de um carro do Estado - à disposição de uma nomeada, com toda a certeza - impõe-se que a condutora não só cuide bem do património de todos nós mas também que dignifique a imagem dos servidores do Estado, conduzindo segundo as regras do Código da Estrada.
Para evitar o fernezim com que circula na estrada, deve levantar-se mais cedo e conduzir mais descontraída. De contrário, é melhor abandonar já o cargo porque a conduzir como conduz, ...não o vai terminar.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Viva o arremeço!

Não pode ser mais esclarecedora a mensagem escrita em edital de pato-bravo.
Não admira.
Num país em que os magistrados judiciais que são órgãos de soberania e, por isso, independentes do Estado e do Poder Político por imperativo constitucional, fazem greve (contra quem? Contra o povo?), é legítimo que um construtor enjeite responsabilidade civil por qualquer arremesso gerador de danos patrimoniais em propriedade alheia.
Então não é o que faz a vizinha do r/c depois de ter dado uma pancada no carro do 2º andar, lá no estacionamento junto à porta?
Não é o que faz o dono do cão que mordeu a filha do vizinho do lado?
Não é o que faz a vizinha de cima quando estendeu a roupa com lixívia a pingar sobre a roupa da vizinha de baixo?
Não é o que faz o condómino que partiu a porta da rua do prédio? Ou que discute que a prestação está alta e não quer pintar o prédio?
Não é o que faz o comerciante do bairro que vendeu o ferro de engomar que não trabalha?
Todos se descartam da responsabilidade civil. Ninguém é ninguém nem tem responsabilidade sobre nada.
Queremos ser um Estado de direito democrático mas o que somos é uma colectividade de cultura e recreio onde a Lei não passa de orientação técnica.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Capital intelectual

É a chave criadora de valor na chamada "nova economia"; da inovação. Decorre do capital humano, entendido como somatório de experiências e conhecimento dos colaboradores das organizações e relações com clientes.
As organizações necessitam de gerir o conhecimento que possuem, integrando a criação, captura, organização, acesso e utilização de toda a informação relacionada com a sua actividade e conhecendo pormenorizadamente as competências das pessoas que as integram.
O conhecimento é a capacidade que cada um de nós tem de utilizar a informação. Por sua vez, esta resulta da recolha, tratamento e registo de dados de forma estruturada.
O capital intlectual vai ser para Portugal - como já é para o resto do mundo - a força produtiva mais importante para o século XXI.
As organizações de maior dimensão já perceberam o fenómeno e estão a implementar projectos de gestão desse precioso activo intangível. É um processo que se aplica tanto ao sector público e empresarial do Estado, como às iniciativas privadas.
A Gestão do Capital intelectual propicia a criação de valor económico nas organizações.
Porém, as relações de poder alteram-se já que quem detém o conhecimento detém o poder, em termos latos. E são estas relações de poder que constrangem alguns decisores relativamente à aplicação daquele potencial gerador de valor. Como focalizar as decisões na sua utilização se isso pode colocar em causa o meu posto de comando, a minha notoriedade?
Eis que de novo surgem alguns dos princípos de Peter.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Menos conversa


O assunto é demasiado sério para ser abordado, de quando em vez, de forma demasiadamente ligeira, ainda que se pretenda desdramatizar para não criar pânico desnecessário.
Porém, o mundo e o nosso país em particular, estão perante uma ameça pior que qualquer ataque terrorista.
Impõe-se trabalho e actos e menos conversa. É preciso actuar já, embora sem ruído.
E é preciso cuidado com as palavras vans. Hoje mesmo os media veicularam uma afirmação do Director-geral de Saúde - o bejense Francisco George - que me deixou preocupado: "...Portugal está hoje melhor preparado para enfrentar uma situação de pandemia do que no século passado..." (citei).
Eu sei que o século passado terminou apenas há 5 anos. Mas Francisco George referia-se a outras situações de natureza epidemiológica do passado.
E também sei que, apesar de limitados, sempre vamos evoluindo.
Portugal seria um desastre completo se esta evidência lapaliciana se não pudesse verificar.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Inoperacionalidade


Os resultados autárquicos de 2005 no concelho de Beja quedaram-se por uma derrota para o Partido Socialista.
O apoio estrutural da Concelhia de Beja esteve muito longe do que era expectante.
Como já muita gente focou, não existem mais condições de permanência dos órgãos concelhios actuais (nem federativos), devendo o presidente apresentar a sua demissão.
Há, no entanto, quem defenda que esta demissão é inadequada no momento porque vamos entrar em actividades eleitorais presidenciais. Uma demissão causaria turbulências destabilizadoras e a antecipação de um processo eleitoral interno traria consequências nefastas.
Porém, Pinheiro Monge - o presidente da Concelhia de Beja do Partido Socialista - é apoiante de Manuel Alegre. Não sendo este o candidato oficial do Partido Socialista à Presidência da República, internamente não pode recorrer à logistica de apoio.
A manutenção de Pinheiro Monge à frente da Concelhia de Beja revela-se, então, estratégica para a candidatura de Manuel Alegre que, desta forma, indirectamente, pode usufruir de um aparelho - fraco, é verdade porque pouco operacional como se viu nas autárquicas - de que, oficialmente, não pode dispor.
Esta situação é absolutamente insustentável. Tendo em consideração a pessoa - que respeito e aprecio - lanço daqui, mais uma vez, o repto de que deve apresentar a renúncia ao mandato, como o deve fazer toda a equipa.
Os acontecimentos marcam acontecimentos. Não há nada de errado em assumir derrotas e convicções. Mas é preciso saber sair pela porta da frente. Se assim for, o retorno é sempre possível. Pelo contrário, se forem outros a emporrarem-nos para a porta, dificilmente voltaremos.

quinta-feira, outubro 13, 2005

O foco de todas as raivas


O desaire eleitoral autárquico do Partido Socialista - não em numero bruto de votos mas em número bruto de órgãos - fez estalar o verniz mal os militantes se refizeram do desgosto.
Embora as medidas impopulares do governo se revistam de coragem no sentido de refrear a má administração da coisa pública, dos sistemas de protecção social e o corporativismo - mais aceso do que antes do 25 de Abril - a verdade é que uma parte significativa dos eleitores não gostou do "pacote" de José Sócrates, por impetuoso, cego e nivelador por baixo. Isso fez-se reflectir ao nível local.
Para cúmulo - se não me falha a memória - em todos os concelhos em que houve participação de Sócrates na campanha, os candidatos perderam e, supostamente, em muitos deles, ganhariam.
Entre nós, veja-se o caso de Moura.
Mas não podem assacar-se todas as culpas a Sócrates.
Em Federações como a de Lisboa, já a luta se afigura áspera, a avaliar pelas declarações de António Raposo.
Na Federação de Beja, António Camilo não hesitou em recomendar a demissão de Luís Ameixa.
Na Concelhia de Beja, igualmente é sugerida a demissão de Manuel Monge, já se sabe, pelo menos pelo ex-director de campanha de Carlos Figueiredo.
Não tenho dúvidas que, face aos resultados obtidos, não há mais condições para que os líderes concelhios perdedores e o líder da Federação Regional do Baixo Alentejo se mantenham em funções. O mínimo que podem fazer, desde já, é apresentarem a sua demissão, saindo pela porta da frente e facilitar a reengenharia interna, evitando guerras desnecessárias e transmitindo para a opinião pública uma imagem positiva e pedagógica como deverá ser o símbolo de um partido com pergaminhos nessa matéria.