segunda-feira, julho 03, 2006

Venham Mais

As últimas semanas trouxeram particular animação à cidade de Beja por motivos estratégicos para Portugal.
Por um lado, a potencial instalação da BIR - Brigada de Intervenção Rápida), composta por pelos diferentes ramos das FAP - no Regimento de Infantaria 3; por outro, as tradicionais comemorações do Dia da Unidade da BA 11, fizeram movimentar recursos importantes.
Efectivamente, Beja possui as melhores (e únicas) unidades militares a Sul do teritório continental. Paralelamente, a nossa região permite espaços e enquadramentos geográficos e climáticos que criam ambientes propícios ao treino militar muito próximo do real.
Estamos hoje a falar de militares profissionais, já que o SMO foi abolido. E para que não restassem dúvidas, as Forças Armadas Portuguesas, em jeito de despedida e gradecimento à população da cidade que acolheu as operações, fizeram desfilar em parada qualquer coisa como cerca de 1500 homens e mulheres.
Igualmente a Força Aérea Portuguesa mostrou mais uma vez à população da cidade e àqueles que a visitam, os recursos que possui e as suas actividades.
Toda esta logística tem repercussões na economia local; agita o mercado, forçando-o a adaptar-se e a equilibrar-se.
Está então demonstrado que possuímos requisitos mínimos necessários e suficientes para acolher iniciativas de grande envergadura que não podem ser concretizáveis noutros locais do território.
Falta-nos a capacidade promocional interna e externa e agilidade aos nossos agentes económicos.

terça-feira, junho 20, 2006

Quantos são?


Ao longo de mais de três décadas de democracia, muitos têm sido os baixo-alentejanos que se têm deixado seduzir pela atractividade de outras regiões, sobretudo pelas oportunidades oferecidas a pessoas qualificadas e capazes de desempenhos só apreciados por não invejosos.
Os resistentes com potencial começam a ser poucos. A massa crítica residual aproxima-se do limiar da mediocridade. Os poderes de influência diminuem e a classe política, por si só, não tem mais capacidade influenciadora.
Évora tornou-se hegemónica; perigosamente. Mesmo em alternância de poder conseguiu, com muito poucos protagonistas, influenciar a seu favor os poderes instituídos e os resultados estão à vista: é uma cidade com estatuto, tem potencial e massa crítica, é atractiva, aumenta física e demograficamente.
Dos três distritos alentejanos, Beja é o maior, o mais desertificado, o mais pobre e com uma capital que, comparativamente às outras duas, mais parece uma aldeia-de-risco-ao-meio.
Nunca conseguiu que as suas elites se agrupassem para reivindicar benefícios colectivos. Sempre olhou para o seu umbigo como se o universo gravitasse à sua volta. Pelo contrário, ao longo da história, as elites empresariais eborenses sempre souberam tirar partido de uma certa consciência colectiva, ainda que conservadora, mas muito adaptativa às circunstâncias.
Geraram naipes de elementos que, consoante a cor do poder, lá estão a marcar presença e influenciar em benefício do distrito, do concelho e da cidade.
Beja teve no Clube Bejense, uma ténue e envergonhada associação de elites que nunca resultou. Apenas como feira de vaidades.
Hoje assiste-se, pela segunda vez, à tentativa de criação de um lobby para exercer pressão sobre o poder central no sentido de viabilizar rapidamente soluções facilitadoras do desenvolvimento sustentado. E pela segunda vez uma tendência tenta, à partida, ganhar a corrida da liderança.
Da primeira vez - ainda com Guterres no governo e igualmente no NERBE - foi o PSD e José Raúl dos Santos que a gitaram a bandeira; agora foi o Partido Comunista com Francisco Santos a dar a cara encobrindo o ambicioso João Rocha e alguns acólitos da AMDB.
Todos têm uma vontade grande de se organizar e há gente muito boa em todas as áreas e capazes de vestir a camisola da região; mas há sempre uns espertos que entendem que os outros são parvos. E matam à nascensa o embrião do futuro sorridente.

sábado, junho 03, 2006

Alerta!



Agentes de marketing agressivo alegadamente contratados por este grupo organizacional do mercado do turismo, estão a operar em Beja, há cerca de 1 ano, em momentos estratégicos - como início da Primavera, aproximação do recebimento do subsídio de férias e subsídio de Natal - a partir do Hotel Francis, contactando residentes previamente seleccionados, sob a argumentação de que têm um prémio à disposição para ser levantado, resultante da participação de um concurso que nunca existiu mas que as pessoas mais incautas acabam por admitir que possam ter participado (por exemplo, sempre colocam numa qualquer tômbola, uma ficha de participação num qualquer concurso de supermercado).

O prémio consiste, normalmente, num voucher para 2 pessoas, 4 dias, em instalações turísticas do Algarve.

As conversas telefónicas de abordagem são feitas por pessoas bem treinadas, homens e mulheres, portugueses e brasileiros, e utilizam estratégias de convencimento e transferência de níveis, muitíssimo bem escalonadas. Verdadeiros profissionais de telemarqueting e de manipulação comportamental.

Mas para levantar o prémio, a vítima tem de estar disponível para ir, numa determinada hora, com uma determinada pessoa e sozinho, a uma entrevista no hotel Francis, em Beja (podia ser outro qualquer). E se disser, por exemplo, que oferece o prémio a uma instituição, dizem-lhe que não pode ser porque é pessoal e intransmissível.

Para que serve a entrevista?

Em primeiro lugar, para obter mais dados pessoais não susceptíveis de ser utilizados sem o consentimento do titular (estatuto profissional, rendimento, agregado familiar, hábitos de consumo e férias) e para proceder a uma longa conversa tática de convencimento na aquisição de outros serviços que, normalmente, são invisíveis de alto preço e valor acrescentado, sem suporte em activo subjacente como se passa com a bolsa de mercado de derivados, exactamente por se tratarem de produtos de natureza financeira não autorizados.

É "time-sharing"puro, esse produto de tão negativa notoriedade que não pode ser falado directamente devido aos escândalos de que já foi protagonista em Portugal.

Evidentemente que ninguém dá nada a ninguém e a ida à entrtevista serve para, ao fim de uma estratégia de cansaço e esgotamento da paciência que pode levar uma hora, propor à vítima a subscrição de um contrato caro que a deixa endividada ou diminuida de valores que podem atingir os € 15000,00.

Se a vítima potencial não cumprir com a promessa de estar presente no dia e hora para a entrevista, nunca mais a largam com telefonemas, chegando ao desplante de pedir satisfações pela atitude da falta e pressionando para que não desligue o telefone.

Alerta, portanto.

Este caso está já comunicado à DECO para que possa desencadear um processo de averiguações que protejam os consumidores de eventuais comportamentos enganosos que possam estar, alegadamente, a ser praticados por agentes que se dizem a operar em nome da organização referenciada.

domingo, maio 28, 2006

Vale a pena



Eis o resultado de uma publicação neste blog, a propósito da inexistência de sanitários para canídeos em locais estratégicos, à semelhamça do que se faz noutras cidades médias do interior (pretenciosismo o meu de chamar a Beja cidade média).

É exactamente o formato que eu propus.

Este é o primeiro a ser instalado em Beja, no Parque da Cidade.

Na ausência de sanitários para pessoas, espero que os humanos dele se não apoderem. Não seria uma imagem agradável a dos respectivos donos e donas de perna alçada.

sexta-feira, maio 12, 2006

Números políticos ou política dos números

À semelhança do que se passa com o todo nacional, também a nossa região começa a ser alvo da luta política em torno das Grandes Opções do Plano que sustentam o orçamento de Estado.
Em política, sempre que pode haver polémica, as oposições mandam para a linha da frente a "prima Georgina"(aquela senhora da rábula da Minha Ida à Guerra do Raúl Solnado que gostava muito de dizer coisas) para provocar as primeiras agitações e arrecadar o ónus dos ódios, deixando terreno mais limpo à passagem dos pavões.
Por seu turno, a situação - normalmente reactiva e raramente pró-activa - manda os seus líderes locais atenuar as polémicas, de imediato, sem que os porta-vozes tenham tempo de se documentar e os resultados são, às vezes, piores do que se estivessem calados. É que na dúvida, absolve-se o réu.
Já todos percebemos que a situação orçamental do país, não sendo dramática, é muito grave. Estamos comprometidos com as regras da União Europeia (e ainda bem). Duarante anos a fio e em sucessivos governos do PS e do PSD, pouco se fez para combater o desperdício, o corporativismo, a impunidade, a corrupção, a incompetência e o clientelismo.
O que nos está a acontecer já aconteceu há dez anos aos espanhóis (desemprego, desaceleramento da economia, crise de valores, défice de auto-estima). Hoje estão 20 anos à nossa frente.
Com a ajuda das boas-vontades europeias, alguma inteligência de governantes e parceiros privados, conseguimos atenuar as entropias que ninguém teve coragem até agora de debelar, por se deixarem pressionar pelos interesses corporativos.
E quais são os mais corporativos?
O ensino, a justiça, a saúde e a política.
Para almejarmos uma Nação Valente, precisamos de uma política reformista, pelo menos até final de 2007.
Por isso - e voltando à nossa região - temos de abandonar momentaneamente algumas paixões para cairmos na realidade, se queremos que os projectos infraestruturantes avancem:
-Não posso ter escolas superiores públicas sem alunos
-Não posso ter professores com horário zero
-Não posso ter juízes com 27 anos de idade, sem experiência de vida e inseguros
-Não posso ter serviços de saúde esbanjadores
-Não posso ter pessoas profissionalmente desmotivadas
-Não posso ter políticos que não enxergam um presunto no meio de chouriços.
Porque se "não há dinheiro, não pode haver palhaços".

terça-feira, maio 09, 2006

Vozes

A comunicação regional local veiculou durante o dia de hoje (Terça-feira, 9 de Maio) uma notícia com origem no presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Beja -Rodeia Machado (ex-deputado comunista pelo Distrito de Beja) - em que o Hospital de Beja estaria alegadamente a cometer irregularidades relativamente ao transporte de doentes em viaturas sem alvará. Em concreto, requisitaria táxis para transportar doentes.
Como cidadão preocupado com matérias sensíveis - caso da saúde - quis tirar a limpo, em concreto, o que se passava.
Foi difícil obter informações seguras e verdadeiras, na medida em que se trata de material informativo restrito e não sou jornalista. Espanta-me como é que Rodeia Machado as obteve. Porém, a sua fonte de informação, para além de não ser credível, deturpou-a.
Vejamos:
1. Existem 2 tipos de situações classificáveis para pessoas necessitadas de transporte, no âmbito dos cuidados de saúde - os utentes e os doentes.
2. O técnico de saúde (médico) é responsável pela classificação.
3. Se classificado como utente, o cidadão alvo de um qualquer acto médico que necessite de ser deslocado para atendimento em local ou unidade afastada e não tenha acesso a transporte privado ou público, é transportado em qualquer viatura que não AMT (ambulância de transporte) ou AMS (ambulância de socorro), requisitado pelo SNS. Normalmente, táxi.
4. Se classificado como doente, de acordo com a gravidade, será transportado em AMT ou AMS.
Em causa está um utente do SNS - anteriormente submetido a intervenção cirúrgica - com necessidade de exames especiais auxiliares de diagnóstico. Objectivamente, o clínico responsável prescreveu uma tomografia axial computorizada por positrões.
A única unidade existente está instalada no Hospital Infanta Cristina, em Badajós.
Como se trata de um utente (classificado como tal pelo clínico), foi requisitado um táxi para transporte.
Convém esclarecer que aquele hospital - da tutela dos serviços regionais espanhóis de saúde - tem um protocolo com a ARS do Alentejo, no âmbito do programa INTERREG III-A, em que os serviços alentejanos de saúde são parceiros, tendo direito a trezentas e poucas tomografias por ano e comparticipação para o transporte de utentes e/ou doentes.
Covém esclarecer ainda que as ambulâncias (sejam AMT ou AMS) só podem atravessar a fronteira em situações especiais e devidamente autorizadas. Logo, mais burocracia e mais despesa.
Uma saída de uma ambulância custa, em média, no total, cerca de €200,00. Um táxi custa substancialmente menos.
E é aqui que bate o ponto.
O que não é dito pelo Sr. Rodeia Machado é que o problema dos "seus bombeiros" (e eventualmente de outros que se regem por compassos idênticos) é um problema de mercado; isto é, de concorrência. Por vezes até desleal. E se formos profundos na investigação, descobriremos aqui ou ali actos de verdadeira cartelização económica.
Dá muito mais jeito transportar um utente com o dedo mínimo fracturado na falange, de ambulância porque rende à corporação. Porém, enquanto a dita ambulância vem de Mértola a Beja transportar o utente com a fractura da falange, está um enfartado à espera dela.
Os recursos são escassos e, por isso, mandam as regras da boa gestão que sejam administrados com rigor e bom-senso.
Logo, é bom que utentes sejam sempre transportados de táxi, os doentes ligeiros, de AMT e os doentes necessitados de socorro, de AMS.
AMT e AMS têm alvará para transporte de doentes e os táxis, alvará para transporte de passageiros.
A demagogia não serve nem os bombeiros nem as populações.

quinta-feira, abril 27, 2006

Oportunidade


A propósito da última manifestação da Associação de Utentes do Ramal de Moura, relativamente à sua utilização, considero que se trata de um problema de oportunidade economica.
Em boa verdade, não é possível, neste momento, afirmar que o bilhete de comboio no ramal será mais barato do que o de autocarro. É uma afirmação desprovida de fundamento sustentado nas ciências exactas. Que é mais rápido, mais preciso em horários e mais seguro, isso sim.
Sabemos também que este ramal, enquanto andou a ser construído e ampliado, acabou por não ver colocadas algumas das pontes necessárias à sua passagem. Mais tarde, por razões económicas (benefícios demasiadamente baixos para os custos de exploração), acabou por ser encerrado.
Com a construção do aeroporto de Beja, com toda a propriedade poderei afirmar que não restará outra alternativa ao Estado, à REFER e aos operadores de transportes ferroviários (CP e outros já existentes ou a instituir) que não seja a de, rapidamente e em primeiro lugar, electrificar a linha até Beja e prepará-la para o Alfa Pendular. Depois fazer os melhoramentos da ligação à linha do Algarve.
O Ramal de Moura voltará a funcionar como linha suburbana. Porém, duvido que com a exploração da CP. Terá de aparecer um operador privado ou independente para que tal aconteça. A REFER poderá apenas assumir a reconstrução da via se verificar a sustentabilidade do investimento, até porque vai ser preciso muito dinheiro.
Já agora devo esclarecer que sou um apoiante incondicional da ferrovia e defendi individualmente a rentabilidade turística do Ramal de Moura junto de amigos que já estiveram à frente da REFER e que subscrevem a minha teoria.