quarta-feira, novembro 08, 2006

Bailador



Francisco Santos - Presidente da Câmara Municipal de Beja - protagonizou durante algum tempo o "descontentamento do concelho" a propósito da "desactivação do Intercidades" prevista com a reentrada em funcionamento da linha Casa Branca / Évora (20 anos depois de ter sido encerrada).

Aqui mesmo tive oportunidade de mostrar o ridículo de tal idéia (ver histórico).

Conseguiu, inclusivamente, dar a entender à opinião pública que tinha sido ele e o Partido Comunista, os mentores do retrocesso da intenção da CP, agora chefiada pelo Engº. Cardoso dos Reis.

Na inauguração da linha de Évora, Francisco Santos faz comentários em directo para o canal 1 da RTP em que demonstra que não tinha feito o trabalho de casa. De facto, o edil bejense nem sabia quantos Intercidades passavam agora os bejenses a ter disponíveis durante o dia. Depois das manobras mediáticas operadas pela máquina comunista, de ter conseguido que os responsáveis da CP tivessem vindo propositadamente a Beja para esclarecer que as notícias eram infundadas e que tudo estava devidamente organizado com vantagens para Beja.

Mas a opinião pública foi inundada com informação tendenciosa, focalizando no protagonismo comunista demonstrando, mais uma vez, a ineficácia socialista nesta matéria.

Já agora, Beja passa a ter 10 (dez) ligações por dia em Intercidades. Cinco para cada lado. As 4 que já tem (duas para cada lado) mais as 6 de Évora (três para cada lado). E o preço caiu como já tinha sido previsto logo com a entrada em vigor dos novos horários para Beja, quando foi desclassificado o Intercidades da hora do almoço.

Falta agora Francisco Santos também vir dizer que foi ele que baixou o preço.

Siga o baile.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Solução


Esta foi a solução que o edil máximo de uma cidade europeia que tinha adoptado os menires cilíndricos idênticos aos que temos em Beja para fins publicitários - colagem de cartazes de propaganda - encontrou para acabar com as críticas dos munícipes.
Em menos de um ápice a adesão ao projecto teve referências estatísticas nunca dantes atingidas.
De facto, são as pequenas idéias que resultam, amiudadamente, em grandes projectos.
Mais palavras para quê?

segunda-feira, setembro 18, 2006

É mesmo para andar


Recentemente veio transcrito nalguma comunicação social nacional que o projecto do Aeroporto de Beja iría parar por força da política de contenção do défice orçamental para 2006, nomeadamente no que diz respeito à não realização de um Orçamento Suplementar.
Como cidadão interessado procurei indagar da veracidade de tais afirmações e concluí não existirem quaisquer indícios de que tal possa vir a acontecer.
As previsões para o arranque das obras mantêm-se para final de Outubro ou princípio de Novembro. Significa que, relativamente a dinheiro, não acarrecta desajustamentos na medida em que a probabilidade de novas execuções orçamentais, para além das que já estão consumadas ou perspectivadas de consumação, é praticamente nula até ao final do ano.
Não há, então, perigo no horizonte para o arranque do projecto.
Este tipo de notícias - que se percebem dentro de detirminadas estreatégias políticas e económicas - têm a particularidade de amortecer as iniciativas empresariais que os investidores atentos projectam já com vista ao futuro próximo (lembremos que a exploração comercial do aeroporto está prevista para o 2º semestre de 2008). A criação de expectativas hexitantes desencoraja a assunção do risco.
Evidentemente que os consórcios perdedores do concurso, algum empresariado instalado e interesses de natureza política, consubstanciam um grupo de descontentamento resistente à mudança e, de facto, é de mudança que se trata.
A região não tem empresários com capacidade de afoitamento para iniciativas desta envergadura. Logo, virão de fora e trarão frescura de idéias, princípios e actuações que empurrarão para a Arquelogia os instalados que não se renovarem e adaptarem.
Também não temos o capital humano e intelectual necessário ao abastecimento de quadros das empresas que rapidamente se instalarão. Urge formar o que disponível e com aptidão básica temos e rapidamente. De contrário, virão de fora e em força, o que em boa verdade também é positivo. Refresca o genes.
Então, deixemo-nos de tretas, mexamos as canetas, e punhamo-nos nas lambretas que o melhor é o Aeroporto.
Convém, entretanto, lembrar o IEP e a REFER das suas co-responsabilidades; o primeiro, no tocante às execuções do IP8 e do IC 27; o segundo, relativamente à reabilitação da rede ferroviária.
Não queremos cá empatas.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Não dá para acreditar



Veio à ribalta a notícia de que a CP se prepara para eliminar os quatro percursos diários (dois para cada lado) do combóio Intercidades entre Beja e Lisboa, substituindo-o por um outro intercidades que passará a circular no percurso mas com desvio para Évora, em Casa Branca, justificando o investimento com as obras que vão ser efectuadas na reconstrução da via, entre Casa Branca e Évora, há muito degradada e com pouca utilização.

Como se sabe, em Casa Branca, quem vem no IC, faz transbordo para uma velha automotora, desconfortável e completamente desadequada às exigências mínimas dos passageoiros de hoje, para seguir até Évora. Mas são muito poucos os passageiros. As alternativas são muitas, mais rápidas e mais baratas.

Imaginem agora o inverso: Beja, cidade aeroportuária, sem estradas boas e sem combóio rápido, ligando a Cidade à capital, a Sines, a Lisboa e a Évora, em via electrificada, servida por uma automotora reconstruída, gentilmente cedida pelo ramal da Lousã.

É para rir!

quarta-feira, setembro 06, 2006

Participado



Tem logótipo e tudo.

Só não ficamos a saber lá muito bem o que é que está na génese deste projecto do Dr. Francisco Santos: se é a aplicação de princípios fundamentais da participação democrática nos assuntos que dizem respeito aos munícipes (decorrente dos preceitos constitucionais e até do próprio Código do Procedimento Administrativo), se a adaptação do cognominado orçamento participativo, expressão que, claramente, não significa o mesmo em português do Brasil e em português autêntico.

Duas coisas já está a conseguir - chamar a atenção dos media e competir com a oposição na marcação da agenda política. É bem provável que seja apenas isto que o Sr. Presidente pretende.

Para nós, munícipes preocupados com a vida do concelho, seja lá porque carga de água for, convém estarmos atentos e participar para que não seja só a clientela comunista - que não faltará a nenhuma das sessões programadas - a traçar as linhas de rumo desta terra. Porque em boa verdade, queixamo-nos muito deles (comunistas) mas não conseguimos ainda gerar alternativa suficientemente credível e energia cinética bastante para lhes fazer marcação cerrada.

Precisamos de ser mais dedicados às causas comuns e mais interventores nos destinos municipais. Não o sendo, deixamos de ter autoridade para criticar seja aquilo que for.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Limpeza

Mais uma época estival a chegar ao fim e o problema mantém-se: falha a limpeza urbana.
Não falha na sua globalidade, entenda-se; mas falha em demasia.
A falha mais notória é a da lavagem das ruas da cidade. Esta não é feita, pura e simplesmente. Como já citei noutras ocasiões, existem equipamentos mecanizados pesados aos quais, há anos, foram retirados acessórios de lavagem - supostamente por avaria e falta de suplentes - e nunca mais foram colocados. Esses acessórios permitem a lavagem automática e activa das ruas, utilizando água reciclada e aditivos de desinfecção. São sistemas utilizados em variadíssimas cidades do nosso país, em viaturas semelhantes às que a Câmara possui. O munícipe atento facilmente identifica os locais de aplicação dos acessórios e percebe que os hidráulicos de controlo estão bloqueados.
Paralelamente, encontramos os tradicionais cantoneiros de limpeza a trabalhar largas superfícies à mão, como no caso da imagem. Concelhos bem mais pequenos e com orçamentos bem mais magros já equiparam os seus profissionais com ferramentas mecânicas de aspiração que permitem uma eficiência muito maior e melhor desempenho. Paralelamente, sentindo as pessoas que se preocupam com elas dando-lhes condições para trabalhar melhor, o seu voluntarismo sobe e aumenta a produtividade.
Elementaríssimo para quem sabe gerir ou administrar.

quarta-feira, agosto 23, 2006

A buzword do momento



Num dos poucos momentos disponíveis para tomar conhecimento das notícias deperei-me com dois statements interessantes: os portugueses são os que mais trabalham na Europa; os portugueses são dos menos produtivos da Europa.

Parece uma incongruência mas não é. Somos dos que mais horas trabalham e dos que menos resultados do trabalho obtêm. Isto por duas ordens de razão: temos baixa qualificação escolar e baixa formação profissional - por um lado (problemas situados no trabalhador); sofremos de desempenho em mau ambiente de organização do trabalho (problemas situados na organização e respectiva tecnoestrutura) - por outro.

Quando a empresa tem colaboradores pouco qualificados (lacto sensu), é fácil imputar-lhes os ódios de todas as desventuras; quando os tem altamente qualificados, as chefias encaram-nos como ameaça porque não conseguem demonstrar que a culpa é deles.

Nas organizações cujo objectivo é o lucro, quando o cume estratégico e a tecnoestrutura são medíocres, quem paga é o consumidor: ferra-se-lhe no preço a pagar.

Mas há excepções.

Na nossa região, infelizmente, abundam estas últimas em coexistência com as não-lucrativas (leia-se sector público e empresarial do Estado).

Planeamento é para gestores; não é para bandeirantes.